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França questiona acordo comercial entre UE e Mercosul diante da reação contrária dos agricultores.

Por Daniel Dawson
18º de dezembro de 2025, 17h UTC
Resumo Resumo

A França descreveu o Acordo de Parceria UE-Mercosul como "incompleto”, lançando dúvidas sobre o seu futuro, apesar dos potenciais benefícios da criação da maior área de livre comércio do mundo. Embora os produtores europeus de azeite apoiem amplamente o acordo, persistem as preocupações quanto ao impacto nos agricultores locais e à necessidade de salvaguardas adicionais para proteger a agricultura europeia.

O futuro de um comércio livre histórico O acordo entre a União Europeia, com seus 27 membros, e quatro países do Mercosul foi posto em dúvida depois que a França descreveu o pacto como "incompleto."

O Acordo de Parceria UE-Mercosul, cuja negociação levou 25 anos, criaria a maior área de livre comércio do mundo, ligando os 450 milhões de consumidores da União Europeia aos 270 milhões de pessoas na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Uma vez aprovado pelas 27 capitais da UE, o acordo eliminaria gradualmente as tarifas sobre quase todos os produtos manufaturados e agrícolas, incluindo azeite e azeitonas de mesa, ao longo de um período de 15 anos.

No entanto, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou que a França não poderia aprovar o acordo até que... "Elementos concretos e precisos são implementados para abordar as preocupações levantadas pelos agricultores.

"É por isso que a França está pedindo que as próximas etapas, previstas para dezembro, sejam adiadas, para que o trabalho possa continuar e para que sejam obtidas proteções legítimas para a nossa agricultura europeia”, afirmou o gabinete de Lecornu.

À medida que as negociações se aproximavam da conclusão, a oposição dos agricultores europeus intensificou-se, com grupos de produtores alertando que os custos de produção mais baixos na Argentina e no Brasil poderiam prejudicar a agricultura nacional.

Em resposta, o Parlamento Europeu deverá votar esta semana uma proposta para introduzir um mecanismo de salvaguarda vinculativo que permitiria a reimposição de tarifas caso os agricultores europeus sejam prejudicados. Os legisladores também estão a considerar uma emenda separada para proibir a importação de alimentos que não cumpram as normas de produção da UE.

A Comissão Europeia alertou que a adoção dessas medidas exigiria que o acordo fosse reenviado às capitais sul-americanas para nova aprovação. ""Se não assinarmos o Mercosul nos próximos dias, ele estará morto", disse um diplomata europeu. disse ao Financial Times.

Apesar da incerteza, os produtores e exportadores de azeite na Europa, em geral, acolheram bem o acordo. O apoio foi particularmente forte na Espanha, onde o azeite figurou entre os principais produtos agrícolas de exportação do país para os quatro países do Mercosul em 2024.

Carlos Cuerpo, ministro da Economia, Comércio e Empresas da Espanha, estimou que as exportações de azeite para os países do Mercosul poderiam aumentar de 40 a 50 por cento quando o acordo estiver totalmente implementado.

Dados do Banco Mundial mostram que a União Europeia exportou 52,300 toneladas métricas de azeite virgem e extra virgem para os quatro países do Mercosul em 2024, totalizando US$ 578 milhões.

Segundo dados independentes do Banco Mundial, a Argentina aplica atualmente uma tarifa de 31.5% sobre todas as importações de azeite extra virgem, enquanto o Paraguai e o Uruguai impõem uma taxa de 9%.

Os primeiros indícios de como o acordo poderá afetar os exportadores europeus poderão surgir no Brasil, que tarifas removidas sobre o azeite e outras importações de alimentos no início de 2025, em um esforço para conter os preços ao consumidor. Os primeiros carregamentos da safra de 2025/26 estarão entre os primeiros a entrar no país sem tarifas.

Embora os exportadores de Portugal, Espanha e Itália tenham recebido bem o acordo, muitos produtores de azeite da América do Sul o encaram com apreensão.

Eles compartilham das preocupações manifestadas pelos agricultores europeus, alertando que os custos de produção mais baixos da Europa podem dar aos azeites importados uma vantagem decisiva sobre os produtores locais.

"“Se um acordo for alcançado entre a Comunidade Europeia e o Mercosul, será um desafio e algo que não será muito favorável para a nossa categoria”, disse Miguel Zuccardi, chefe de produção de azeite da Familia Zuccardi, na Argentina. Olive Oil Times in 2024 atrasado.

Os produtores do Uruguai também manifestaram preocupação, observando que as grandes engarrafadoras espanholas e italianas já competem agressivamente em preço nos supermercados e canais de varejo online.

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