
A COP30 em Belém, Brasil, contou com a presença de 194 países, com notável ausência dos Estados Unidos, o que gerou uma disputa central sobre a redução da dependência de combustíveis fósseis. Apesar das negociações para impulsionar o financiamento climático e implementar o Acordo de Paris, o texto final não incluiu uma referência explícita à eliminação completa dos combustíveis fósseis, provocando protestos e apelos por ações climáticas mais decisivas.
A COP30, uma das cúpulas climáticas das Nações Unidas mais controversas dos últimos anos, aconteceu em Belém, na floresta amazônica brasileira.
Delegações de 194 países estiveram presentes, mas os Estados Unidos marcaram uma ausência notável pela primeira vez em três décadas de reuniões da COP.
Os negociadores concordaram em impulsionar o financiamento climático e acelerar a implementação do Acordo de Paris para limitar o aquecimento global. No entanto, mais uma vez, a principal disputa girou em torno da redução da dependência de combustíveis fósseis, como carvão, petrazeite e gás natural.
Uma coligação de mais de 80 nações, incluindo Estados-membros da UE e a Colômbia, pressionou por um roteiro claro para a transição para longe dos combustíveis fósseis no acordo final. Mais de 80 outras nações, lideradas pela Arábia Saudita, produtora de petrazeite, opuseram-se veementemente à medida.
Consequentemente, o texto final da COP30 não continha nenhuma referência explícita à eliminação completa dos combustíveis fósseis.
“[A COP30 revelou] um conflito cada vez mais acirrado no cerne da política climática global: entre aqueles que aceitam o fato científico de que, para lidar com as mudanças climáticas, o mundo precisa se desvencilhar dos combustíveis fósseis nas próximas décadas; e aqueles que resistem ativamente a isso em busca de seus interesses energéticos de curto prazo”, disse Michael Jacobs, professor de economia política da Universidade de Sheffield.
Nos 30 anos de história das conferências climáticas da ONU, uma referência específica à transição para longe dos combustíveis fósseis apareceu apenas uma vez — na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (CNUC). Documentos da COP28 Adotada em 2023. Não se chegou a um consenso sobre a eliminação gradual na COP29, e o impasse persistiu em Belém.
Após dias de negociações, os participantes da COP30 concordaram em estabelecer um "Acelerador de implementação global”, um mecanismo de alto nível para acelerar a ação climática antes da COP31 no próximo ano.
"O Acelerador priorizará ações com maior potencial de escala e velocidade na luta contra as mudanças climáticas, incluindo a redução de metano e a remoção de carbono por meio de soluções baseadas na natureza”, afirmou a presidência brasileira da COP30.
O mecanismo também ajudará os países a fortalecerem seus planos nacionais de ação climática, ou NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
A presidência também anunciou planos para desenvolver dois roteiros principais: um para alcançar um "apenas fazer a transição” para uma economia livre de combustíveis fósseis, e outra para reverter o desmatamento.
"Os planos de ação surpresa foram uma tentativa da presidência brasileira de concentrar a atenção de todos no caminho a seguir”, disse Peter Liese, do Partido Popular Europeu.
Milhares de manifestantes, incluindo ativistas climáticos, comunidades indígenas, ciclistas, frades e organizações feministas, marcharam por Belém exigindo ações climáticas mais decisivas.
Conhecido como "A "Grande Marcha Popular" foi o primeiro protesto público pelo clima em uma cúpula da ONU desde 2021. As três COPs anteriores foram realizadas em países onde manifestações públicas são proibidas: Egito, Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão.
A edição deste ano também contou com a maior delegação indígena da história da COP, com mais de 3,000 representantes presentes.
"“Os povos indígenas querem participar, não apenas comparecer”, disse Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas do Brasil. "Até agora, os investimentos impulsionados pelas decisões da COP não produziram resultados – a meta de 1.5 °C está se tornando inatingível.”
De acordo com uma avaliação preliminar das Nações Unidas, as emissões globais de gases de efeito estufa podem cair 12% até 2035. Ainda assim, a meta de limitar o aquecimento a 1.5 °C acima dos níveis pré-industriais permanece incerta. Uma análise completa está disponível em [inserir link aqui]. Relatório de Síntese da NDC de 2025.
A COP31 já está prestes a inovar: a cúpula de 2026 será realizada na Turquia, em novembro, e presidida pela Austrália — uma parceria inter-regional incomum na história das negociações climáticas.
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